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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Não, Não Sou Sua Inspiração


Houve uma época em que eu usava este blog para escrever sobre como lido com os desafios que a vida traz enquanto pessoa com deficiência em um mundo como o de hoje. 
E funcionou em todas as vezes em que eu escrevi algo que foi muitas vezes visto como orgulho e inspiração de outrem.

Mas resolvi que isso não mais me serve, pois por mais que aqueles discursos me tenham trazido um certo lisonjeio, na medida em que fui crescendo me veio um sentimento arrebatador de que o estava fazendo pelos motivos errados: Eu tinha na cabeça a ideia de que as pessoas ilustravam as pessoas com deficiência como sendo pessoas deprimidas, totalmente privadas de uma vida normal. E eu não queria ser assim! Eu queria muito mostrar aos Capazes (vide Capacitismo) que não sou uma coitada, que não preciso de olhares penosos para me validar.

E isso continua sim sendo verdade, a questão é que não preciso provar nada a ninguém, vira e mexe, nem para mim mesma. Então o que muda nisso tudo? O foco.

Pois bem, enquanto não mais focarei no aspecto Pornô Da Inspiração da coisa, estarei aqui para sempre mudar quando preciso. No caso como o de agora, o foco girará em torno das minhas experiências e reflexões sociais de forma imparcial sobre Direitos, porque cá entre nós: A independência das pessoas com deficiência está anos-luz longe de ser vista como de fato Direitos.

Não, não sou sua inspiração. Não preciso da sua piedade e tampouco preciso de aplausos cada vez que faço algo cotidiano, apenas estou exercendo minha independência garantida às margens do riacho Ipiranga! 😀

P.S: O termo Pornô da Inspiração (Inspiration Porn) foi visto em uma série de comédia que conta a história do J.J DiMeo que tem Paralisia Cerebral e sua familia. Há uma cena bem legal em que o irmão dele tem de apresentar uma redação e ele resolve escrever sobre como o J.J é um herói, o que é claro, J.J desaprova. Vale a pena conferir a série.



Como não achei a cena especificamente em que isso acontece, legendada, deixo aqui uma TED muito boa que fala exatamente sobre assunto. Não tenho certeza de quem alcunhou o termo, mas fica a dica!



sábado, 3 de junho de 2017

Lucidez

Jogada nos confins do universo,
fui semente.
Adormecida, inerte, distraída, não pude antes absorver o mais nobre nutriente.
Sou, fui e serei. Semente, caule, galho, folha... E flor.
Minhas raízes vibram cores, cheiros e formas com fervor. Elas se estendem à essência do teu viver. Tudo aquilo que foste, és e será... Dentro de mim.

Despertei.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Meu bem, não se vá!

Parece que te esqueci. Mas não. Como poderia?
Parte de mim, te acolho.
Depois de todo esse tempo. Preciso te dizer que és perfeita. Que és minha, toda minha e só. Preciso reaprender contigo o que é a vida.
A levar comigo tudo aquilo que sempre me mostrou desde o começo.
Como pude deixar esvair toda essa essência?
Minha querida, nunca mais vou te perder de vista.
É o que há de imenso e mais puro em mim!
Me lembre sempre da beleza do mundo, do nosso sorriso, da gostosura da nossa risada.
Se houver o mínimo sinal de esquecimento, grite, ria, brinque, dance! Cante!
Que eu te prometo, sempre olharei em seus olhos com ternura.
Eu te amo, te prezo e te guardo para sempre no peito, minha pequena!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Lost in Translation

É algo que não tem descrição. Me afoga em ondas torrentes. É algo que não se pode verbalizar. É uma ânsia que me prende em Correntes de aço no fundo de mim. Vivo a me procurar em todos os Lugares do meu dicionário sem Muito sucesso. Talvez ao tentar me montar é que sinto peças faltando. Talvez ao experimentar o encontro Meus pólos se repelem. Sei lá, não sei. Meus componentes se desfazem em cores que eu não sei o que são. Talvez esteja perdido na tradução.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Indefinível


"Nenhuma pessoa é uma ilha" já dizia sei lá quem. Somos seres sociais e ninguém vive sozinho, é comum ouvir. Com isso cria-se uma corrente que faz com que a interação com semelhantes seja uma necessidade. Uma necessidade de suprir necessidades que requer a presença de terceiros, goste você (eu), ou não.

É aí que tudo fica mais complicado quando lá no fundo algo diz: "Quem precisa dos outros quando se tem a si mesma?". E até se consegue viver assim por um certo espaço de tempo. E te tira da zona de conforto e incomoda e tira o ar. E muitas vezes até abala a autoconfiança, devo dizer. 

Repetimos para nós mesmos "os outros são os outros e acabou-se", mas sempre caímos na armadilha de nos importarmos com o que os outros veem e então, vem a ansiedade e a certeza de que nem sempre trata-se de uma escolha importar-se ou não com o que os outros pensam, é algo que toma conta, um panico e de repente não se sabe mais nadar. 

Mas sinceramente, quem dita as regras? Quem determinou como tenho de agir? 

Sim, sou tão adulta quanto quanto qualquer outra pessoa no mundo, e tenho meus medos e minhas vulnerabilidades que talvez até me façam a parecer uma criança com medo, e também sou bem brincalhona e gosto de estar na minha pele, gosto de ser exatamente assim, bobona. 

E desculpa se minha espontaneidade não foi arrancada de mim pela sociedade e pela suposta necessidade de ser séria na idade adulta. Responsabilidades certamente não me tiram o direito de me divertir no caminho, de rir alto, de fazer careta, de rir das minhas próprias piadas sem graça.

E pessoas não estão do dicionário com uma definição ao lado. Não é trabalho de ninguém tentar me definir, e talvez, nem mesmo o meu. Talvez eu seja assim, indefinível.

"Rótulos são para latas, não pessoas" Anthony Rapp.