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sábado, 3 de junho de 2017

Lucidez

Jogada nos confins do universo,
fui semente.
Adormecida, inerte, distraída, não pude antes absorver o mais nobre nutriente.
Sou, fui e serei. Semente, caule, galho, folha... E flor.
Minhas raízes vibram cores, cheiros e formas com fervor. Elas se estendem à essência do teu viver. Tudo aquilo que foste, és e será... Dentro de mim.

Despertei.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Meu bem, não se vá!

Parece que te esqueci. Mas não. Como poderia?
Parte de mim, te acolho.
Depois de todo esse tempo. Preciso te dizer que és perfeita. Que és minha, toda minha e só. Preciso reaprender contigo o que é a vida.
A levar comigo tudo aquilo que sempre me mostrou desde o começo.
Como pude deixar esvair toda essa essência?
Minha querida, nunca mais vou te perder de vista.
É o que há de imenso e mais puro em mim!
Me lembre sempre da beleza do mundo, do nosso sorriso, da gostosura da nossa risada.
Se houver o mínimo sinal de esquecimento, grite, ria, brinque, dance! Cante!
Que eu te prometo, sempre olharei em seus olhos com ternura.
Eu te amo, te prezo e te guardo para sempre no peito, minha pequena!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Lost in Translation

É algo que não tem descrição. Me afoga em ondas torrentes. É algo que não se pode verbalizar. É uma ânsia que me prende em Correntes de aço no fundo de mim. Vivo a me procurar em todos os Lugares do meu dicionário sem Muito sucesso. Talvez ao tentar me montar é que sinto peças faltando. Talvez ao experimentar o encontro Meus pólos se repelem. Sei lá, não sei. Meus componentes se desfazem em cores que eu não sei o que são. Talvez esteja perdido na tradução.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Indefinível


"Nenhuma pessoa é uma ilha" já dizia sei lá quem. Somos seres sociais e ninguém vive sozinho, é comum ouvir. Com isso cria-se uma corrente que faz com que a interação com semelhantes seja uma necessidade. Uma necessidade de suprir necessidades que requer a presença de terceiros, goste você (eu), ou não.

É aí que tudo fica mais complicado quando lá no fundo algo diz: "Quem precisa dos outros quando se tem a si mesma?". E até se consegue viver assim por um certo espaço de tempo. E te tira da zona de conforto e incomoda e tira o ar. E muitas vezes até abala a autoconfiança, devo dizer. 

Repetimos para nós mesmos "os outros são os outros e acabou-se", mas sempre caímos na armadilha de nos importarmos com o que os outros veem e então, vem a ansiedade e a certeza de que nem sempre trata-se de uma escolha importar-se ou não com o que os outros pensam, é algo que toma conta, um panico e de repente não se sabe mais nadar. 

Mas sinceramente, quem dita as regras? Quem determinou como tenho de agir? 

Sim, sou tão adulta quanto quanto qualquer outra pessoa no mundo, e tenho meus medos e minhas vulnerabilidades que talvez até me façam a parecer uma criança com medo, e também sou bem brincalhona e gosto de estar na minha pele, gosto de ser exatamente assim, bobona. 

E desculpa se minha espontaneidade não foi arrancada de mim pela sociedade e pela suposta necessidade de ser séria na idade adulta. Responsabilidades certamente não me tiram o direito de me divertir no caminho, de rir alto, de fazer careta, de rir das minhas próprias piadas sem graça.

E pessoas não estão do dicionário com uma definição ao lado. Não é trabalho de ninguém tentar me definir, e talvez, nem mesmo o meu. Talvez eu seja assim, indefinível.

"Rótulos são para latas, não pessoas" Anthony Rapp.



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mergulhos

        É engraçado como nas horas mais inusitadas possíveis, eu tenho insights sobre a vida e o que me cerca. No Dia dos Pais saí com minha mãe para um show da banda local Top Gun - muito boa, aliás!- e uns trinta minutos antes do show, fiquei ali, ao lado dela olhando o movimento das pessoas.
       Todos aqueles rostos desconhecidos, com expressões em geral cansadas, desgastadas pelas pressões da vida moderna... Todos se contentam muito facilmente  com o que acontece com eles. Poucos questionam o fato da possibilidade de tomar as rédeas da própria vida.
       Mas não é sobre isso exatamente que vim falar. As pessoas, na verdade estão perdendo tudo aquilo que as fazem parte de uma comunidade e poucos ainda preservam o bom senso de se colocar no lugar do próximo. Todo mundo hoje em dia, principalmente nesses períodos em que as pessoas resolvem reivindicar seus direitos, tomados pela raiva, passam a usar da violência para alcançar tal objetivo.
       Não, ninguém está feliz com a situação na qual estamos vivendo agora. Mas nada disso justifica tamanha falta de vergonha - Sim, porque é isso o que é. - fazendo com que as pessoas firam a dignidade do próximo. A verdade é que todo mundo gosta de mostrar o que tem de errado no mundo por conta da carência de cuidado e atenção, assim como as coisas que acontecem na África, por exemplo. Todos são bons samaritanos nas redes sociais, em petições que visam os Direitos Humanos e/ou de animais, mas quando se trata dos próprios benefícios cidadãos, isso tudo deixa de existir.
       Fiquei extremamente assustada com a quantidade de pessoas pedindo a morte de outra nas manifestações, falando que sonegação é defesa, ou até mesmo praticamente desejando uma segunda ditadura militar.
      O fato é que as pessoas precisam mergulhar mais, olhar em volta, e se perguntar se é realmente correto agir contra a integridade e dignidade humana dessa forma. E que o sistema educacional deveria prezar muito mais, mas muito mesmo pela Filosofia nas escolas, porque o que tem de gente que  "tem pensamento político" sem um pingo de capacidade de reflexão não é brincadeira.

P.S: Só não coloquei imagens e vídeos dos piores momentos e cartazes da manifestação porque minha internet é sofrível. Mas provavelmente todos já viram o que tinha para ver.