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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sincronia

   Depois de certo tempo, percebemos que a tática de separar coisas e fatos não funciona nada bem em nossas vidas. É tudo uma coisa só. No fundo nós tentamos separar as coisas, por querer fazer uma de cada vez sem levar em conta que tudo tem a ver com tudo. Tentamos separar por nos sentirmos pressionados, por acharmos que não conseguimos encarar tudo de uma vez, ou como deveria ser encarado (pelo menos sou eu quem se sente assim), e acabamos até ficando parados, sem fazer nada. Nem separa, nem junta, fica inerte.

    Juntar tudo numa coisa só é tão estranho, que mais parece arte abstrata para mim. Não adianta querer que o tempo seja diferente apenas para você, só porque você quer mais tempo para respirar. O tempo não espera por ninguém. O mínimo que todos nós conseguimos fazer, é esperar o tempo.

    É tudo tão sincronizado, que fica fácil se perder, e não dá para dizer, mesmo assim, que tudo é interligado. Existem meios termos. Há quem diga que na vida não há meios termos, e nem funciona viver assim, tal coisa que eu não engulo. Se tudo fosse definido, se não houvessem meios termos, não haveriam tantas outras opções. A vida seria muito singular.

   Uma coisa realmente leva a outra, mesmo estando parado. Parar já é uma ação. E quer saber? Se tenho de aceitar toda essa mistura, que seja, mas se puder, vou preferir que minha vida se encaixe no meu ritmo.
   Por enquanto tudo mais que eu quero, é que tudo o que me parece abstrato no momento, ganhe cores, formas, traços significativos que me ajudem a conviver com essa enorme ligação.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Transição



    Ninguém disse que amadurecimento fosse fácil. Claro que na maioria das vezes, tudo depende de como você lida com tantas mudanças. É engraçado ver como uma simples passagem dos 17 para os 18 muda profundamente tudo o que você tinha. Parece até que tudo lhe foi tirado e no lugar desse "tudo" foram colocadas outras coisas.

    Claro que esse tipo de coisa não ocorre apenas com o passar de uma idade para outra. Tudo isso ocorre por toda a vida. Sempre aparecem outras necessidades, outros horizontes, e sentimentos, e palavras, e outros "tudos"! O ser humano em si é carente de mudanças o tempo todo, não há como escapar.

     Incertezas, dores, tristezas, contratempos? Ora, devem haver pessoas que digam que isso  tudo demasiadamente é próprio da idade. Pois se alguém já se pôs a pensar assim, eu tenho que dizer que não foi lá um raciocínio muito feliz. Porque de uma coisa eu tenho certeza: Não há idade que mude o fato de que todos os elementos citados fazem parte de uma vida inteira. Bom, pelo menos faz parte da vida de quem a vive prestando atenção a cada detalhe, sentimento, fato... Enfim, quem vive de verdade e é atento a qualquer coisa que venha pela frente, é capaz de progredir o tempo todo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

De olhos bem abertos

    Mais do que nunca, percebo a gigante necessidade de parar, abrir a janela ao acordar, e enxergar toda aquela beleza mundana para qual há tempos parece que eu havia fechado os olhos. Mais do que nunca, a paz bate minha porta querendo arrombá-la, dizer oi e me abraçar.
    Mais do que nunca, eu quero correr com a brisa no rosto e os cabelos ao vento gritando toda aquela alegria presa na garganta.
    Mais do que nunca, necessito chegar até a vida, cutucá-la e  dizer:

- Pode vir! Eu não tenho medo! Não tenho medo de  andar por aí agarrada a você esteja você com o que estiver!

   Agora sim, eu tenho a absoluta certeza de que acordei para tudo! Consigo ver por ai lagartas, borboletas, casúlos, dias de sol, nuvens, crepúsculos, luas cheias, e muita vida fluindo!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Hã? Ah, faz favor, né?

     Sabe aquela cena de uma pessoa com deficiência numa fila, e sempre tem aquela criaturinha tentando fazer uma boa ação levando-a para o  começo dela para ser atendido primeiro?
     Tudo bem que foi querendo ajudar, mas o que eu acho, é que isso põe muita diferença entre as pessoas "normais" e as que usam cadeira de rodas, ou tem outro tipo de deficiência (eu nem deveria estar chamando de deficiência. Para mim, ter nascido com Mielomeningocele não atrapalhou em nada).
     E tudo bem que também tem aquelas pessoas que realmente precisam ir  para o começo da fila. Mas ai é que começa a história: As pessoas não podem generalizar. Não é todo mundo que precisa ir para o começo da fila. Uma dessas pessoas sou eu. Não vejo problema nenhum em esperar um pouco, até porque eu estou apenas respeitando as outras pessoas.
    Tem gente até que já olhou feio para mim porque eu penso dessa forma. Me perguntaram até se isso não seria preconceito comigo mesma. Pois eu digo: É claro que não! Soa bem mais precoceituoso impor diferenças entre um cadeirante e uma pessoa que pode andar sem ajuda de andadores, moletas e tudo mais.
    Demonstrar ausência de preconceito seria quando essas pessoas tratassem todos da mesma forma, sem diferença alguma.

P.S: Olhando de perto,  ninguém é normal. E mesmo assim, normalidade demais é um tédio.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Para quem ainda não conhece ou quer saber mais...


   Há um tempo eu fiz parte do CEIR - Centro Integrado de Reabilitação. Um trabalho lindo feito pelo Estado para ajudar na reabilitação de pessoas e crianças de todas as idades com deficiência física, motora, ou que tem membros amputados, enfim, vários tipos. Sentiu o verbo no passado,né?
   Fiz, saí, porque quis, mas depois de um tempo, a idade vindo, a gente sempre percebe o quão certas coisas que a gente faz sem medir as consequências dos atos, têm uma enorme repercussão na vida.  É, eu fiz por pura imaturidade, mas agora percebi a tamanha importância que o centro tem na minha vida.
   Sem explicações, mas sinto a necessidade gigante de dar apoio a eles. Então, seguem todas as formas de comunicação que eles dispõem:

Twitter: www.twitter.com/amigosdoceir
Perfil no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#FullProfile?rl=pcb&uid=7650932853890482792
Site do centro: http://www.ceir.org.br/

  É por justamente não querer que outras pessoas façam o que eu fiz, que estou disponibilizando aqui todas as formas possiveis de se chegar até lá.

  Na época, criei também uma comunidade relacionada ao centro. Lá poderão encontrar além de mim, pessoas que poderão falar mais sobre o assunto: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=72133305

 Eu a criei quando ainda estava lá. É que de certa forma, o centro tem um valor para mim.


domingo, 9 de janeiro de 2011

Receitas

   Já que eu não estou muito para escrever refletindo e tudo mais, mesmo assim me lembrei de uma música que minha irmã compôs... Quando ela escreveu e começou a tocar no violão, eu perguntei de onde ela tirou uma coisa tão simples e literalmente doce. Segue a letra ai embaixo:

                 Receitas

Receitas de bolo, eu sei de cor
Algumas doces demais para mim
Me dizem sempre o que fazer, como fazer
e quando fazer.

Mas já se perguntou se quero ser como você?
Só sei que não é ruim, quando se tem a receita
De que sempre o fim é o começo do meio de tentar
Sorrir e sonhar mais

Receitas de bolo, eu sei de cor
Algumas doces demais para mim
Me dizem sempre o que fazer, como fazer
e quando fazer.

Mas já se perguntou se quero ser como você?
Só sei que não é fim, quando se tem a receita
De que sempre o fim é o começo do meio de tentar
Sorrir e sonhar mais

   Bom, ela disse que foi escrita para mim (não é narcisismo coloca-la por isso não né?), quando ela já  estava cheia daqueles dias em que eu dou pitacos. Enfim,  ainda bem que existem pessoas que ainda vêm algum lado bom em mim (oi, sou muito dramática?). Não, não. Estou brincando, na verdade ela escreveu percebendo como eu me sinto, ou sentia, eu não percebi ainda se isso realmente mudou.
   Sei que isso não mudou tão completamente,  eu reconheço que ainda sou resistente a quem tenta me dizer o que devo ou não fazer.
   Brevemente teremos essa musiquinha gravada, que tal?

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sacomé, né?


     Jingle Bells, adeus ano velho, feliz ano novo... E feliz mesmo, viu? Tempo vai, tempo vem, acabei descobrindo que com o tempo, mesmo que você não queira, tudo muda (tá, mas não é que eu tenha descoberto isso só agora, não! Respira ai que eu explico...) , e aí quando você menos percebe: Puf! você não é a mesma criatura de antes e começa a se perguntar para onde foram todas aquelas manias que você tinha antes, onde ficaram todas as coisas que você já estava acostumado a ver. Depois, o que acontece? Você cai na real e para com essas besteiras e começa a ver as coisas de outra forma a ponto de amadurecer (hein?).

    A idade vem, e a mudança grudada nela (entendeu agora o espríto da coisa?). É esquisito estar relatando as próprias mudanças, estar reconhecendo, ou não, pode significar que estou consciente dos meus próprios atos. Geralmente a gente precisa de alguém para dar um tapa na cara para ver se acordamos e enxergamos onde é necessário haver mudanças.  É engraçado quando você só percebe que o capítulo mudou quando chega o Natal e o Reveillon, tudo isso acontece porque sempre se tem aquela necessidade de fazer aquele flashback para depois ver o que mudou e ainda precisa mudar. Eu não sou a pessoa mais certa do mundo para estar falando isso (e quem é?), até porque, um bom exemplo de quem faz muita coisa sem pensar sou eu. Mas chega de ''mim'', ''meu'', ''eu'', ''sou'', ''estou'' e mais ego. Isso tudo que eu tentei dizer, é só mais uma reflexão que pula da minha cabeça.

    Enfim, saltando um pouquinho o assunto mas sem perder o foco do fim de ano e tudo mais, temos aqui um textinho de outro blog que eu achei simplesmente incrível. Depois que eu li, percebi o quanto deixo coisas fugirem e não abordo aqui por falta de atenção. Chega de papo, boa leitura.