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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Autotraição

Nós, como seres humanos dotados de consciência gostamos de estar ou mesmo pensar que estamos no controle. Além desta necessidade, também há outra que talvez muitos de nós tenda a reprimir: A de exprimir sentimentos de pensamentos.
Bem, quando se trata de conviver com os outros, entramos em um território imensamente diferente. Não estamos mais lidando com nossas próprias emoções, nossos questionamentos pessoais e desejos...
Vivemos em comunidade. Seja em casa com a família, no trabalho ou Faculdade e afins, lidamos com pessoas. E então, para que não passemos por egoístas, passamos a: 

a) Reprimir desejos, opiniões e qualquer coisa de cunho pessoal em prol da boa convivência.

b) Com o sentimento genuíno de cooperatividade (ou não), nos apropriamos das necessidades do próximo praticamente fazendo-as nossas para mostrar companheirismo e compreensão. (E assim, deixamos de lado as nossas)

Por deixar de exprimir opiniões, desejos e qualquer coisa de natureza pessoal, quero dizer evitar diálogos potencialmente delicados e que venham a ser desagradáveis a pessoa. Mas no meio do caminho de evitar a Terceira Guerra Mundial, nos sentimos no escanteio, deixados de lado, ou até mesmo nos vem a sensação de autoirresponsabilidade, como se não nos déssemos a devida importância.

Enfim, chega o momento em que a sensação de que o controle que tanto desejávamos tomar sob nossas vidas simplesmente some. O que é bem engraçado: Como algo que nunca esteve ali pode sumir e gerar tanta dor?

Não, não. Na verdade. em dada situação, quando nos sentimos fracos, no escuro, com frio, desesperados, tendemos a nos enfiar mais e mais no fundo do poço. Começamos a praticar a injustiça consigo e com outros ao nosso redor. Começamos a perceber a realidade de acordo com o estado de espírito.

Um dia desses, aderi a um exercício que poderia ajudar a pôr para fora negatividades. E esse foi se permitir a escrever tudo o que estiver sentindo, sem restrições, tudo é permitido. E a experiência foi interessante, porque depois de tudo, de vomitar tanta coisa enterrada em uma folha de papel, veio essa revelação de que a emoção altera totalmente a realidade. (Claro que não é bem novidade para ninguém, nem mesmo para mim, mas deixa...)

E se olharmos para nós mesmos, percebemos que os outros são só os outros. Sempre fomos nós mesmos a sugerir as idéias de que o próximo esteve interferindo em nosso estado. Despertamos para a verdade: 
Nossa Verdade.

O Universo tem umas formas que chegam até a ter um pouco de graça de ensinar a gente. Depois de ter escrito tanta coisa a meu respeito e de outros, depois de ler, surgiu um sentimento de invalidação.

Sentir-se inválido, estúpido e injusto é na verdade mais uma armadilha. Talvez gerada pela vitimização.
É uma armadilha porque nos impede de enxergar certos aspectos do momento, aquilo que chamamos de realidade, fatos.

Tem-se de ser extremamente corajoso para encarar tudo isso e mudar o curso.

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