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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Lessons to be learned.

Vivia com medo da reação de terceiros ou preocupada em parecer menos diferente. Tolice, porque vai totalmente contra o que eu realmente acredito e isso foi esclarecido ontem.

Como já havia dito por aqui, sou portadora de Mielomeningocele ( Espinha Bífida). A questão da mobilidade limitada nunca me abalou... Nunca me importei com a significância de eu estar numa cadeira de rodas aos olhos de terceiros. A única coisa que sempre me deixou mal foi a questão da Bexiga Neurogênica.

Basicamente nervos do órgão não respondem, resultando no descontrole da micção. Boa parte da minha infância usava fraldas descartáveis, fazia de tudo para ela ficar escondida, o mais imperceptível possível dentro das roupas, nunca falei nada para um cristão que fosse. Na escola eu me fechei de vez por causa de um episódio chato no qual eu virei motivo de risada, porque descobriram e tudo o mais...

Tempos depois vieram as intervenções cirúrgicas, com vários contratempos, pude respirar em paz. Desde os episódios de constrangimento,  me fechei mais e mais para as possibilidades de socialização, mal saio.

Depois das cirurgias, a última a qual me submeti foi uma espécie de reparo do canal, pois tenho um canal umbilical que antigamente folgava. Infecções podem causar o descontrole, a falta ou má administração dos medicamentos também. Tempos depois de tanta coisa, descubro que tenho propensão a criação de cálculos.

Aí você faz as contas: Os incômodos sempre reaparecem.

Socialmente, eu sempre mantive uma distância confortável (ou assim eu pensava) da multidão. Nunca questionei o que estava fazendo. Nunca me perguntei se era realmente uma atitude saudável. Afinal de contas, não. Não é nem um pouco saudável abrir mão do convívio com outras pessoas, sempre gostei de pensar que há uma diferença enorme entre Solitude e Solidão, e no final da história tudo era Solidão, nada bonito.

Eu estive esse tempo todo me escondendo quando os vazamentos acontecem em público, se eu tiver a oportunidade de sair do local, não hesito. Então, a conclusão da lição que eu deveria ter aprendido há tempos, dadas as circunstâncias de como eu geralmente penso, é que ao invés de fugir, deveria explicar a situação com cautela e conquistar meu lugar.